Aleitamento materno exclusivo: Fatores que influenciam a adesão e os desafios
Palavras-chave:
Aleitamento materno exclusivo, Enfermagem, Lactação, Promoção da saúde, Saúde materno-infantilResumo
O aleitamento materno exclusivo (AME) até os seis meses de vida constitui recomendação nacional e internacional por seus comprovados benefícios para a saúde materno-infantil. Entretanto, sua adesão ainda é limitada no Brasil, devido a fatores sociais, culturais, emocionais e assistenciais. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores que influenciam a adesão ao AME e identificar os principais desafios enfrentados pelas nutrizes para sua manutenção. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, desenvolvida nas bases SciELO, BVS e Periódicos CAPES, abrangendo publicações entre 2019 e 2025. Foram incluídos artigos completos em português que abordassem determinantes e dificuldades relacionados ao aleitamento materno exclusivo. Após critérios de seleção, dez estudos compuseram a amostra. Os resultados demonstraram que a interrupção precoce do AME está relacionada à baixa escolaridade materna, ausência de apoio familiar, retorno precoce ao trabalho, uso de chupeta, dificuldades com a pega, dor mamilar, crenças culturais equivocadas e insegurança emocional. Observou-se que o apoio profissional qualificado, o aconselhamento durante o pré-natal, o contato pele a pele imediato e o acompanhamento no puerpério são fatores determinantes para o sucesso da amamentação. A enfermagem destacou-se como categoria essencial na promoção, orientação e suporte às mães, atuando na prevenção de dificuldades e no fortalecimento da autoconfiança materna. Conclui-se que o AME demanda estratégias intersetoriais e contínuas, com fortalecimento das políticas públicas, apoio às nutrizes e qualificação dos profissionais de saúde, especialmente enfermeiros, para garantir melhorias nos índices de aleitamento e promoção da saúde infantil.
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